Tecnologia transforma PET reciclado em adesivos
Pesquisa conduzida no IQ - Instituto de Química da Unicamp
- Universidade Estadual de Campinas abre nova perspectiva para
a utilização do PET (politereftalato de etileno)
reciclado. Em sua dissertação de mestrado, Rosemary
de Assis desenvolveu um adesivo poliuretânico a partir do
material, para ser aplicado na colagem das diferentes camadas
de filmes que compõem as embalagens flexíveis, empregadas
para acondicionar alimentos como batata frita e salgadinhos.
O resultado dos testes feitos em laboratório foi bastante
promissor, conforme a pesquisadora. “Ao comparar o adesivo
com um similar comercial, foi possível constatar que ambos
possuem características de aplicação e mecânicas
muito próximas. Além disso, entre os adesivos obtidos,
três amostras apresentaram uma adesividade maior do que
a do produto convencional”, afirma a autora do trabalho.
A tecnologia já está sendo objeto de um pedido de
patente.
Redução de custos - De acordo com Rosemary, o reaproveitamento
de materiais descartáveis tem sido uma tendência
crescente em todo o mundo, tanto por exigência econômica,
quanto ambiental. Em relação ao PET, predomina no
Brasil a reciclagem mecânica. Por meio desse processo, as
garrafas de refrigerantes e congêneres são reprocessadas
e transformadas em fibras, cordas e outras embalagens, que não
para alimentos.
A reciclagem química, objeto da sua pesquisa, ainda é
pouco praticada no país. A pesquisadora diz ter conhecimento
de apenas um estudo acadêmico brasileiro envolvendo o uso
de PET para a produção de adesivo. Este, porém,
tinha em sua composição final somente 10% da referida
matéria-prima, contra 33% do produto desenvolvido na Unicamp.
A autora da dissertação explica que, embora o adesivo
formulado por ela seja mais indicado para colar as camadas das
embalagens flexíveis, nada impede que algumas das suas
características sejam alteradas, para que possa ter outras
aplicações. “Feito isso, o produto também
pode ser usado para colar couro, papel e outras embalagens”,
diz Rosemary.
A pesquisadora espera que o seu estudo ajude a estimular a reciclagem
no Brasil. De acordo com ela, o PET chegou ao país em 1994.
O consumo do material, àquela época, era de 80 mil
toneladas ao ano. Em 2002, esse mercado cresceu para aproximadamente
305 mil toneladas/ano. Entre um período e outro, o índice
de reciclagem saltou de 17% para 35%. “Trata-se de uma taxa
significativa, mas que ainda pode ser melhorada”, analisa.
Rosemary lembra que a reciclagem do PET reduz os custos com matéria-prima,
minimiza a agressão ao ambiente e ainda gera emprego e
renda para famílias carentes. Estima-se que a cadeia que
envolve o reaproveitamento de materiais no Brasil seja responsável,
direta ou indiretamente, por cerca de 500 mil postos de trabalho.
“Atualmente, o PET só fica atrás das latinhas
de alumínio em termos de reciclagem, sendo que 80% do material
vem dos aterros sanitários e lixões espalhados pelo
país”, afirma a autora da dissertação.
Ela considera que é perfeitamente viável a abertura
do leque de possibilidades de reaproveitamento do politereftalato
de etileno, de modo a ampliar os ganhos econômicos, ambientais
e sociais.
Para alcançar esse estágio, porém, Rosemary
acredita que haverá a necessidade de medidas complementares,
como o aprimoramento da coleta seletiva, a realização
de campanhas educativas junto à população
e até mesmo a formulação de leis que obriguem
as empresas a se responsabilizarem pela reciclagem das embalagens
que fabricam, como já ocorre em alguns países desenvolvidos.
Até aqui, no Brasil, tal medida só se aplica aos
pneus. A dissertação de mestrado de Rosemary de
Assis foi orientada pela professora Maria Isabel Felisberti, do
IQ. (Portal de Notícias Unicamp)
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Resenha da notícia:
Pesquisa conduzida no IQ - Instituto de Química da Unicamp
- Universidade Estadual de Campinas abre nova perspectiva para
a utilização do PET (politereftalato de etileno)
reciclado.